A Infecção do Trato Urinário (ITU) é uma doença muito comum nas crianças. Por isso, muitas vezes, os pais trazem ao nosso consultório de pediatria a seguinte dúvida: meu filho está com infecção de urina! E agora?

Essa infecção é caracterizada como proliferação bacteriana em qualquer segmento do sistema urinário.

Até os 6 meses de idade, é mais comum em meninos e, posteriormente, tende a aumentar a incidência nas meninas.

É importante realizar o diagnóstico correto e o tratamento precoce por causa do risco de poder deixar algumas lesões nos rins, as chamadas cicatrizes renais, muitas vezes irreversíveis. 

Quais são os sintomas mais comuns que caracterizam a ITU? 

 Antes de mais nada, precisamos entender quais são os sinais/sintomas que levam os pais a suspeitar do diagnóstico e que necessite de avaliação médica.

Em crianças pequenas, que ainda usam fralda, o principal sintoma é a febre isolada.

Podem ocorrer, igualmente, outros sintomas associados, tais como; irritabilidade, vômitos e/ou baixa aceitação alimentar.

Já nas crianças maiores e que não usam mais fraldas, o mais comum são as queixas de dor ao urinar, ardência, aumento da frequência da micção com saída de pouca quantidade de urina e, algumas vezes, até presença de sangue, com ou sem febre associada.

Xixi concentrado e com cheiro forte não são características confiáveis de suspeita de infecção, podendo ser apenas consequência da baixa ingestão de líquidos.

Como se faz o diagnóstico de infecção do trato urinário? 

Bebê faz xixi no penico: meu filho está com infecção de urina! E agora?
Bebê faz xixi no penico: meu filho está com infecção de urina! E agora?

Quando a suspeita da infecção do trato urinário é confirmada, é preciso realizar o atendimento médico e a coleta adequada da urina, incluindo a urocultura com antibiograma, que é o método responsável por identificar o microrganismo causador da infecção e guiar a escolha da terapia com antibiótico.

É importante salientar que o resultado leva em média 3 dias para ficar pronto, e, por isso, deve vir acompanhado da urina 1 ou EAS (análise da urina com resultado rápido).

Quando esse exame tem aumento da quantidade de leucócitos, suspeita-se que a infecção é verdadeira e o tratamento deve ser iniciado o mais breve possível, até que seja confirmado ou excluído pela urocultura.

Se não houver crescimento de bactérias na urocultura, a infecção não se confirma e deve-se pensar em outras causas para os sintomas apresentados.

O método de coleta da urina para a realização dos exames citados é de extrema importância para o diagnóstico, tratamento e seguimento ambulatorial da criança.

A contaminação da amostra por fatores externos como higienização inadequada, secreção genital, presença de fezes e uso de fralda podem invalidar a amostra e levar ao erro do diagnóstico.

Enquanto a criança não apresentar controle voluntário da urina e fizer uso de fralda, a amostra deve ser colhida por sondagem vesical para não contaminar a urina.

Vale salientar que o procedimento, quando bem feito, com equipe bem treinada, não dói e causa apenas um leve incômodo para os pequenos.

Em crianças maiores que já controlam a urina, a coleta pode ser realizada desprezando o primeiro jato no pote coletor esterilizado, após a correta higiene da região íntima.

Como avaliar a gravidade de um caso de infecção do trato urinário? 

Crianças pequenas fazem xixi em penico em um parque: para os casos sem febre, chamados de cistites, são infecções restritas a bexiga e na maioria das vezes não têm gravidade.
Crianças pequenas fazem xixi em penico em um parque: para os casos sem febre, chamados de cistites, são infecções restritas a bexiga e na maioria das vezes não têm gravidade.

As infecções podem ser desde leves até muito graves. Para os casos sem febre, chamados de cistites, são infecções restritas a bexiga e na maioria das vezes não têm gravidade.

Já as acompanhadas de febre, são consideradas pielonefrites, infecção do trato urinário alto, e, em geral, são mais graves.

Os pais devem ficar atentos ao estado geral da criança.

Nos casos de hipoatividade, má aceitação alimentar e hídrica e duração da febre por mais de 3 dias após o início do antibiótico caracteriza-se maior gravidade e provável falta de resposta adequada ao antimicrobiano, necessitando do acompanhamento médico para ajustes de tratamento.

Muitos pais perguntam se a infecção do trato urinário pode voltar muitas vezes na infância.

Na verdade, isso depende: após o tratamento adequado, com ou sem necessidade de internação hospitalar, é necessária a investigação clínica da causa dessa infecção.

Quanto menor a criança, mais chance de ser causada por malformação do trato urinário.  Se isso não for investigado corretamente e conduzido de forma adequada, a infecção pode acabar voltando, levando até a sequelas renais no futuro desta criança.

Em crianças maiores, principalmente meninas, os hábitos de higiene e miccionais devem ser abordados para que não se tornem infecções de repetição.

A infecção urinária é contagiosa? 

Não, não é! A proliferação bacteriana ocorre principalmente por estase urinária, ou seja, urina parada por muito tempo em algum local do trato urinário.

Por isso, a importância de beber muito líquido e realizar micções frequentes

Portanto, a criança com ITU não passa para os irmãos ou para os seus coleguinhas.

A irritação vaginal pode causar a ITU?

Sim. A irritação vaginal com ou sem corrimento pode causar infecção de urina ou até mesmo se confundir com os sintomas de infecção urinária pela presença de coceira, ardência e perda de urina involuntária.

A higiene íntima após evacuação ou micção tem papel fundamental na prevenção dos episódios, assim como não segurar a urina, usar roupas de algodão e instituir o tratamento medicamentoso adequado para a irritação vaginal quando necessário.

Meu filho tem fimose, isto pode predispor à ITU? 
Bebe ao lado de penico: fimose é um fator de risco importante para o desenvolvimento da infecção urinária
Bebe ao lado de penico segura rolo de papel higiênico: fimose é um fator de risco importante para o desenvolvimento da infecção urinária

Sim. A impossibilidade de exposição total da cabeça do pênis pelo excesso de pele é chamada de fimose, o que dificulta a higiene local e propicia a proliferação bacteriana.

Dessa maneira, é um fator de risco importante para o desenvolvimento da infecção urinária, além da possibilidade de acúmulo de urina na pele excedente.

Há relação entre o intestino preso e ITU? 

Sim. A bactéria que causa a maioria das infecções urinárias é proveniente do intestino preso (Escherichia coli).

Portanto, o mesmo propicia a multiplicação desses microrganismos que podem migrar para o sistema urinário e desencadear a infecção.

Outro fator importante é que a distensão do reto por acúmulo de fezes pode resultar no esvaziamento incompleto da bexiga ocasionando as infecções urinárias.

Como prevenir a ocorrência de ITU? 

A Dra Mariana Tomaz, consultora na área de nefrologia pediátrica da Clínica Pediátrica Toporovski  reitera dados importantes para a prevenção da infecção urinária.

“Para proteger o seu filho da infecção urinária, o mais importante é a educação miccional no momento do desfralde, estimulando a micção a cada 3 horas; medidas de higiene, estimular a ingesta hídrica adequada e alimentação balanceada rica em fibras para um bom funcionamento do intestino”, ressalta a Dra Mariana.

“Após o primeiro episódio ou quando identificada malformação do trato urinário, é importante o acompanhamento regular com o nefrologista pediátrico para que sejam esclarecidas as dúvidas, orientações e tratamentos específicos para cada caso”, finaliza a especialista.

A Dra Mariana Tomaz: para proteger o seu filho da infecção urinária, o mais importante é a educação miccional no momento do desfralde
A Dra Mariana Tomaz: para proteger o seu filho da infecção urinária, o mais importante é a educação miccional no momento do desfralde

 

 

Clínica de Pediatria Toporovski: (11) 3821-1655

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