Já são exatos 12 meses desde que a notificação do primeiro caso de coronavírus surgiu no Brasil. Por isso, cabe agora fazermos algumas reflexões sobre a Covid-19: um ano depois.

Nesse tempo todo de pandemia, que parece interminável, temos acompanhado várias famílias que acabaram se infectando.

Há uma flutuação importante das taxas de infecção em membros da mesma família, ou seja: alguns apresentam quadro clínico, outros são totalmente assintomáticos e, por vezes, há pessoas que não contraem a doença.

“Via de regra, as crianças, adolescentes e adultos jovens apresentam quadros leves, com sintomas brandos e se recuperam em poucos dias, sendo rara a detecção de acometimento pulmonar”, afirma o Dr. Mauro Toporovski.  

“Isto é totalmente diferente quando observamos o que ocorre com os familiares mais idosos que contraem a doença ou adultos com algumas comorbidades (obesidade, diabetes, hipertensão, doença cardiovascular ou submetidos a imunossupressão), situações em que a gravidade e a morbidade são muito elevadas”, explica o coordenador geral da Clínica Pediátrica Toporovski

Há uma preocupação dos pais quando da possibilidade de as crianças transmitirem a doença para os familiares.

Essa aflição é real, porém os estudos demonstram que as crianças, embora possam transmitir, seu nível de contágio, não é, via de regra muito expressivo, quando compara-se com adolescentes e adultos.

Mesmo assim, agora que as crianças vão, aos poucos, retornando para as suas atividades normais, cotidianas, sempre orientamos que, havendo caso suspeito na família ou escola, a mesma deve utilizar máscara, evitar contato em especial com os avós e fazer os testes de detecção entre 7 a 10 dias depois do contágio.

O Dr Mauro Toporovski: crianças, adolescentes e adultos jovens apresentam quadros leves
O Dr Mauro Toporovski: crianças, adolescentes e adultos jovens apresentam quadros leves

Essas precauções são importantes até que o programa de imunização avance e as taxas de infecção comunitárias se mostrem em franco declínio.

Estratégia mundial de combate ao vírus é a vacinação universal

Não há, até o momento, o desenvolvimento de drogas ou compostos que se mostraram efetivos na prevenção da infecção pelo Covid-19.

Portanto, a estratégia mundial de combate ao vírus apoiada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é a VACINAÇÃO UNIVERSAL.

A Dra Sarah Shamay fez, recentemente, uma excelente explanação sobre as vacinas e estratégias de combate à infecção pelo Covid-19.

Os protocolos de tratamento dos casos mais graves estão sendo aprimorados à medida que as equipes de saúde estão mais afeitas e experientes quanto aos passos de assistência.

Novas drogas estão sendo sintetizadas e as taxas de mortalidade estão felizmente gradativamente reduzindo.

Porém, o número de casos graves em todo o país é alto e registram-se muitas perdas de vida nos adultos com mais idade.

Há no momento, em desenvolvimento já avançado, mais de 14 vacinas elaboradas para a imunização contra o SARS-CoV-2.

As vacinas que têm por base a utilização de um segmento da proteína do vírus inserida no RNA mensageiro (Pfizer e Moderna) são as que atingiram melhores índices de proteção, bem próximos a 95%.

São vacinas de custo mais elevado e de logística de aplicação mais complexa (exigem transporte e armazenamento em temperaturas muito baixas).

Alguns lotes das mesmas podem chegar ao Brasil em fases mais tardias, a plataforma de produção pode ser modificada rapidamente se as mutações genéticas novas do SARS- CoV-2 demonstrarem baixa produção de anticorpos após a aplicação das mesmas.

Provavelmente, contaremos nos próximos meses com a vacina Sputnik V (vacina que utiliza 2 vetores de adenovírus atenuado) cuja tecnologia de produção permitirá fabricação nacional – os estudos de fase III dessa vacina mostraram resposta sorológica de ótimo nível, acima de 90%, sendo 100% de proteção contra infecções mais graves.

Crianças devem ser as últimas a receberem a vacina; reflexões sobre a Covid-19: um ano depois

Menino realiza teste do Coronavirus: crianças devem ser as últimas a recebem a vacina
Menino realiza teste do Coronavirus: crianças devem ser as últimas a recebem a vacina

 

Os resultados iniciais da imunização realizados com a vacina da Jansen foram promissores com títulos de anticorpos próximos superiores a 75%. Esse produto tem uma vantagem adicional: exige apenas uma dose e pode ser armazenado em refrigeradores comuns.

Provavelmente, haverá outras ofertas de imunizantes, porém devemos lembrar que a necessidade engloba todos os países do mundo, sendo a logística de produção em alta escala e distribuição ainda muito complexa.

As crianças, por apresentarem a particularidade de quando acometidas desenvolverem em geral formas mais brandas da doença ou muitas vezes serem totalmente assintomáticas, deverão ser as últimas a serem contempladas nos esquemas de imunização.

Há muitas dúvidas ainda a respeito da história natural da doença Covid-19.

Ao que parece, os casos de recontaminação pelo vírus são raros.

Porém, isso se aplica para as cepas mutantes do SARS-CoV 2, ainda está sendo motivo de mais estudos para chegar a conclusões definitivas.

Observa-se indivíduos que contraem a doença e perdem os títulos protetores de anticorpos depois de alguns meses.

Há estudos que demonstram que essas pessoas, mesmo quando reexpostos ao vírus, em geral, não desenvolvem novamente o quadro clínico, ou seja: a doença parece conferir uma imunidade natural protetora independentemente dos títulos de anticorpos neutralizadores.  

O que não sabemos ainda nesse momento, é quanto tempo os anticorpos produzidos pela aplicação da vacina mantém-se elevados e com títulos protetores e se os indivíduos que não os produzem em taxas mais consistentes, terão ou não, risco mais elevado de desenvolver a doença quando expostos ao vírus.

Não temos ainda essas respostas. Portanto, devemos ter um comportamento coerente e responsável frente à pandemia até que a mesma entre em fase de resolução.


Clínica de Pediatria Toporovski: (11) 3821-1655.

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