Segundo o sociólogo e filósofo italiano Domenico De Masi, devemos nos atentar que não fazer nada e ócio criativo são diferentes. “Espero que o ócio criativo não seja confundido com o não fazer nada. Hoje, ócio criativo significa trabalhar, divertir-se e aprender”, diz ele. O nosso lado lúdico pode nos transformar! E “a criança que brinca é uma criança animada. A alma está ali presente!” (Maria Amélia Pereira, Tarja Branca – documentário sobre o Brincar).

Mas, como podemos usar o instinto lúdico na nossa vida? Indo atrás da felicidade, do seu próprio desejo, isso é o brincar.

Quando pensamos assim, vamos além do contato interior com nossa criança.

Podemos pensar sobre como gastamos nosso tempo e se estamos verdadeiramente conectados conosco.

Porque ao estarmos ligados nesse eixo, temos tempo para nos ouvir, para criar, viver o presente sem tantos medos e ansiedades. Ter um pouco mais de humor, rir de si, usufruir da dança, da cultura popular do nosso país e de nossa alegria!

Essa criança interna que habita em você pode estar adormecida, esquecida, mas pode e deve ser resgatada para uma vida mais feliz, com mais humor e maior resiliência.

Seria entender que todo adulto contém em si uma criança e que ele pode sim, mantê-la viva conectando-se com seu eixo, com o brincar nesse sentido de vínculo e de alegria.

Brincar é o combinar das potencialidades humanas, da ancestralidade, do coletivo, mas, o resultado dessa mistura é puramente pessoal!

Por que é tão grave “adultizar” a infância? 

Criança recebendo presente de uma pessoa adulta: “adultização” é o processo de acelerar a infância, e neste caso, as perdas são bastante graves
Criança recebendo presente de uma pessoa adulta: “adultização” é o processo de acelerar a infância, e neste caso, as perdas são bastante graves

“Brincar é usar o fio inteiro de cada ser. Quando você está usando o seu fio inteiro da vida, você está brincando. Só quando você vai inteiro para fazer algo, o resultado é verdadeiro.

Assumir a experimentação e a brincadeira como práticas constantes na nossa vida e o papel de protagonistas do reencantamento do mundo é de uma coragem que requer muita simplicidade e um coração de criança.

A alegria e as percepções afetivas da vida só são possíveis quando a gente brinca. Brincar é mostrar ao mundo que você está por inteiro”. (Maria Amélia Pereira)

O processo de acelerar uma fase da vida é cruel em qualquer idade, pois existe sempre uma grande perda envolvida nisso.

A “adultização” é o processo de acelerar a infância, e neste caso, as perdas são bastante graves, principalmente no que diz respeito ao ato de brincar livremente!

A infância é uma etapa muito importante no desenvolvimento humano, como dito acima.

Nos primeiros anos de vida, brincar livremente é um fator estruturante da personalidade.

Isto porque é brincando que a criança apreende e se conecta com a realidade ao seu redor.

Além disso, cria repertório e desenvolve suas habilidades motoras e sócio emocionais.

É algo como um treino saudável onde criar, a fantasia, a imaginação e o constante movimento mental e corporal entram como ingredientes que nos moldam para o resto da vida.

Como as redes sociais influenciam os pais a tornarem as crianças mini adultos? 

Bebê brincando de tocar instrumento musical: é comum ver crianças assumirem papéis que não cabem a sua idade e ao seu preparo psicológico
Bebê brincando de tocar instrumento musical: é comum ver crianças assumirem papéis que não cabem a sua idade e ao seu preparo psicológico

Por volta dos 6 anos de idade, a primeira infância termina e acelerar este processo é tirar da criança esta oportunidade de estar livre sem as preocupações da vida adulta.

A criança deveria ter o direito garantido de brincar, estuda e ter o amor e proteção dos pais nesta fase da vida onde ainda são vulneráveis.

Porém, é comum ver crianças assumirem papéis que não cabem a sua idade e ao seu preparo psicológico. 

Seu filho não deveria ter que se preocupar, por exemplo, com os problemas do casamento ou financeiro dos pais.

Outro ponto que rouba a infância é o excesso de atividades e o seu estresse.

Todas estas questōes tornam as crianças miniadultos!

O faz de conta e a imitação de modelos faz parte da brincadeira infantil, é assim que ela cria experiências a respeito da vida e treina copiando certos modelos até descobrir seu modo de ser, como gosta de se vestir e de agir.

Elas querem imitar quem admiram e brincar de ser gente grande.

Os pais, professores e ídolos sempre foram os grandes modelos a serem copiados, porém, as redes sociais trouxeram esta nova categoria: os influenciadores.

São formadores de opinião que todos querem imitar. E neste ponto, muitos adultos viram a oportunidade de ganhar dinheiro com isto.

Ser influenciador hoje é uma profissão, um trabalho muito bem remunerado e que envolve um poder também.

O poder é o de penetrar na mente das pessoas e ditar o que é certo. É comum vermos hoje crianças brincando de ser youtuber, influenciadores.

Há pouco revelou-se alguns casos de youtubers infantis que em seus depoimentos falavam que começaram como uma brincadeira e que agora os pais os abrigam a gerar conteúdo, fazer anúncios de patrocinadores, enfim a terem seu tempo e o brincar explorados como negócio!

Criança que brinca é uma criança animada! Como conseguir um meio termo? Dicas valiosas…

A psicóloga Marcia Neumann: tire alguma parte do seu dia para se conectar verdadeiramente com seu filho!
A psicóloga Marcia Neumann: tire alguma parte do seu dia para se conectar verdadeiramente com seu filho!

A tarefa de criar filhos é uma das mais difíceis da vida. As configurações da sociedade e da família mudaram muito nos últimos tempos, mas uma coisa não muda: a necessidade do convívio! 

Seu filho/a precisa de você e do seu tempo. Vale lembrar que estamos falando de qualidade e não de quantidade.

Enxergar as reais necessidades é muito importante, assim como, entender que nada material como presentes irão sanar esta falta.

Entender que você é referência e modelo são de extrema importância neste momento atual onde as referências são procuradas na internet quando se está ausente.  

As crianças sentem a diferença e ficam muito felizes quando percebem que mesmo trabalhando muito, existe uma escuta e um olhar atento às suas demandas.

Procure então ter um tempo desconectado das redes, celular, tablets e tv para olhar e ouvir seu filho/a.

Diga a ele como foi seu dia, compartilhe se está preocupado com algo, e principalmente, mostre que você está disponível para ele/a.

Isto trará uma segurança muito grande e um conforto em saber que existe um lugar de suporte e afeto para correr quando for necessário.

Cria resiliência e mostra também que existe um equilíbrio entre trabalho e família, ou seja, o modelo de valores que deseja transmitir a eles.

Aposte na qualidade e separe alguma parte do seu dia para se conectar verdadeiramente com seu filho.

Pode ser um jantar em família, passeio, jogo ou simplesmente um abraço, carinho, algo que vocês tenham prazer em compartilhar.

Estes momentos são de extrema importância para se sentir amado e respeitado.

Para quem tem mais de um filho, é super válido algum tempo a sós com cada um. Vale a pena ver o brilho nos olhos que vem em troca.

Acredito que o brincar livre e tempo para isso é de extrema necessidade, assim como impor limites, tarefas e deveres para os pequenos são estruturantes e é um dever de nós, pais.

Garantir um ambiente amoroso, a paciência e o olhar individual também.

“Lembrando que, comparar uma criança com a outra nunca gera benefícios, numa época com tantas babás eletrônicas, nunca foi tão importante transmitir valores familiares e uma relação em que caibam as dúvidas, a diversidade e o amor!”, diz Marcia Berman Neumann, psicóloga infanto-juvenil e familiar.

“Espero que estas reflexões acerca do brincar, da “adultização” e da importância do convívio familiar possam ser sementes que frutifiquem e tragam benefícios a todos que leram”, finaliza a colaboradora da Clínica Pediátrica Toporovski

 

 

Clínica de Pediatria Toporovski: (11) 3821-1655.

Deixe um comentário

Avenida Pacaembu, 1083,
São Paulo, 01234-001

Avenida Pacaembu, 1083,
São Paulo, 01234-001

Tel: (11) 3821-1655
WhatsApp: (11) 97335-3589